Pular para o conteúdo principal

Técnicas Argumentativas

Sugeridos que estão alguns cuidados a observar, na apresentação dos argumentos, importa deixar algumas ideias-base sobre este importante processo de comunicação, resolução de conflitos, e obtenção de acordos nas relações humanas modernas.
Diz-se que se está numa situação argumentativa, entre outras, sempre que: se é chamado a tomar posição face a algo, seja a uma atitude, a um ato, a um projeto, a uma decisão, a um critério.
Argumentar é, também, comunicar e daí a conveniência de se conhecer bem o receptor, para que se verifique uma compreensão cabal do discurso argumentativo, e os efeitos da argumentação possam ser controlados pelo emissor, o qual tem uma intenção que visa um efeito sobre o receptor.
É por isso que deve conhecer bem e caracterizá-lo corretamente, para que possa prever melhor os efeitos e reações que a comunicação pode causar (o mesmo vale para uma argumentação perante um auditório-alvo, sendo condição essencial conhecer muito bem a sua constituição, para se utilizar uma metodologia que se preocupe em aumentar a segurança e as probabilidades de eficácia).
Como estratégia de prudência convém ter presente alguns princípios, dos quais se referem apenas quatro:
a) Toda a prática argumentativa assenta no princípio da discutibilidade, do que resulta que aquele que argumenta deve considerar como discutíveis, as teses a favor ou contra as quais argumenta;
b) Rejeitar a autoridade como princípio de regulação das relações entre os homens, reclamar-se do princípio do livre-exame, do direito à opinião e do valor dos juízos;
c) Renunciar a todo e qualquer tipo de absolutismo, dogmatismo e atitudes radicais, nocivas ao entendimento, admitindo que as questões debatidas não estão nunca resolvidas, de forma  absolutamente definida, quando se rejeita a existência de critérios infalíveis, que garantiriam a indiscutibilidade de uma tese;
d) Incompatibilidade com a ideia de argumentação é toda a aceitação passiva e dogmática, tudo o que é passível de discussão, e que assim é elevado ao estatuto de ponto de partida inquestionável, aliás, é salutar que se questione tudo o que suscita dúvida e dificulta a compreensão.
Hoje, discute-se tudo e em qualquer lugar; de muitas maneiras e em muitos domínios; somos constantemente desafiados a construir uma argumentação: quer se trate de defender uma opinião, justificando uma escolha; quer se trate de introduzir uma reclamação; de apresentar um requerimento; de procurar um emprego.
Nesta época pós-moderna, em que as propagandas de todos os tipos são cada vez mais pressionantes e insinuantes, a juventude tem que ser, mais do que nunca, iniciada nas técnicas de persuasão, com as quais é diariamente “metralhada”.
Compreende-se, assim, que um regresso à retórica não possua, somente, uma vertente atual e prática, porque há outra largamente formativa, porque no estudo dos modos de raciocinar e de argumentar, encontrar-se-ão os instrumentos que ajudarão a exercer o espírito crítico, e a conduzir o pensamento com mais rigor.
Como “ideia geral pode-se interiorizar que a força do argumento se avalia em função da sua refutação possível, e há que ter em conta que num processo argumentativo não existem evidências, porque o seu campo é o da controvérsia e da construção do saber, a partir da elaboração dialógica de hipóteses plausíveis”. (Cf. GIRÃO & GRÁCIO, 1995:153-60)

Bibliografia
GIRÃO, J. M.S. & GRÁCIO R. A. (1995). Área de Integração, Vol. II, Ensino Profissional,
Nível 3, Lisboa: Texto Editora.

Venade/Caminha – Portugal, 2020
Com o protesto da minha perene GRATIDÃO
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
NALAP.ORG
http://nalap.org/Directoria.aspx
http://nalap.org/Artigos.aspx

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Natal com «Amor-de-Amigo»

 Chegou o tempo de banirmos, irreversivelmente, ódios, vinganças, obscurantismo, fome, guerras e a morte resultante daqueles «sentimentos» e situações. Está na hora da inversão de tudo quanto é indigno para o ser humano, a começar em cada um de nós, até para connosco próprios. É tempo de dar voz ao «tribunal» da nossa consciência, porque é o único que nos julga imparcialmente, mesmo que, depois, não tenhamos a coragem de cumprir a «pena» ou seguir os seus conselhos. Mas, é claro que: todos os dias precisariam de ser Natal; todos os dias deveríamos refletir na vida e na morte; na nossa origem, mas também no nosso destino; no que fazemos e no que deveríamos fazer; pensarmos que a vida é efémera; que não somos os donos do mundo, nem da verdade, nem da vida de ninguém, nem sequer da nossa própria existência. De Onde Vimos? Quem Somos? Para Onde Vamos? Independentemente das nossas convicções políticas, filosóficas, religiosas ou outras, a verdade é que não nos conhecemos suficientemente...

Governar e chefiar, com talento e sabedoria

A superior e inultrapassável diferença entre gerir e liderar pessoas, e administrar outros recursos, como máquinas, capitais, objetos, coisas, mercados e situações técnico-científicas, localiza-se, imediatamente, na comunicação e relacionamento interpessoais: pura e simplesmente, a relação pessoa-objeto situa-se a um nível inferior e instrumental ao da relação pessoa-pessoa, ou pelo menos, assim deveria ser. Acredita-se que será impossível gerir e liderar pessoas sem a comunicação com elas, e entre elas, suportada num genuíno processo de relações humanas, seja no campo estritamente profissional, seja num quadro mais abrangente, nos contextos da família, da escola, da Igreja, da comunidade, inclusivamente no âmbito da ocupação dos tempos livres e de lazer. Comunicação e relacionamento humanos, são faculdades que toda a pessoa deverá cultivar, como se de uma competente atividade profissional se tratasse, porque o indivíduo humano é portador de capacidades inatas, mas também tem de aprend...

Gerir Humanamente as Pessoas

Como premissa maior, parte-se do princípio segundo o qual, gerir pessoas é totalmente diferente, mais difícil, complexo e imprevisível, do que gerir coisas, outros animais, bens, situações do âmbito das ciências exatas e da técnica (nestas, praticamente, tudo é previsível, reversível, observável, experimentável e quantitativamente avaliado). Gerir pessoas implica, desde logo, saber gerir-se a si próprio, é um pouco como governar uma instituição, um país, porque quem não sabe governar a sua vida, como vai fazê-lo em relação à vida dos seus semelhantes? (Cabe aqui um espaço para se refletir acerca dos critérios utilizados para a escolha dos políticos, governantes, gestores e para atividades similares). Uma primeira regra, para o gestor, poderá fundar-se na consideração e respeito que ele deve ter para com as pessoas que está a gerir, quaisquer que sejam as funções, desde o recepcionista ao diretor de um qualquer departamento, todas estas pessoas têm a mesma dignidade e qualquer delas, na...