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O Capital Humano

A humanidade vive tempos conturbados, qualquer que seja a dimensão pela qual se analise uma determinada situação. Partindo-se do indivíduo, singularmente considerado, enquanto pessoa de deveres e direitos, para conjuntos mais alargados, como: a família, a empresa, a comunidade nacional ou a sociedade global, os problemas existem, são de diversa natureza e grandeza: uns resolvem-se; outros alimentam-se e outros, ainda, criam-se, porque o mundo compõe-se de inúmeros binômios: homem-mulher; verdade-mentira; dia-noite; quente-frio; guerra-paz; vida-morte, bom-mau; alegria-tristeza, belo-feio, riqueza-pobreza, Deus-Diabo, etc. 

A dicotomia é uma, entre outras, característica deste mundo, na medida em que algo existe em relação ao seu negativo ou ao seu opositor, tal como uma afirmação, a propósito de uma determinada situação, é tanto mais real quanto se destaca a sua oponente, o que envolve uma complexidade de muito difícil gestão, transferindo-se uma tal realidade para a sociedade humana.

A inferência que se tira é evidente: a organização da sociedade, com todos os seus elementos constituintes, obedece a regras consuetudinárias, e também a normas do corpo jurídico instituído. Conciliar todos os interesses em presença, num universo de dicotomias, oposições e recursos vários, é uma tarefa muito melindrosa e complicada. Atualmente, a organização societária funciona com base nos diversos recursos: energéticos, monetários, técnicos, científicos, instrumentais, ambientais, humanos e outros. Obviamente que todos são importantes, necessários e, eventualmente, cada vez mais escassos.

Em todo o caso, verifica-se que alguns recursos começam a ser racionalizados, a sua utilização cada vez mais controlada, para que a sua extinção não ocorra sem que primeiro o homem encontre alternativas. Os recursos naturais, até mesmo aqueles que pareciam ilimitados: a água para consumo humano, nas suas diversas aplicações, o ar não poluído, a floresta, o ambiente, produtos naturais energéticos, animais, bens alimentares, hoje, primeiro quarto do século XXI, verifica-se que é urgente controlar, racionalizar e, portanto, gerir, sabiamente, tais riquezas naturais, sob pena de as próximas gerações não viverem com um mínimo de qualidade de vida, o que a acontecer, constitui gravíssima responsabilidade para os gestores e decisores atuais.

Há, porém, um recurso natural, valiosíssimo, o mais importante, o mais complexo, também em extinção em muitos países do mundo. Um recurso que, paradoxalmente, é consumidor de todos os outros recursos naturais, destruidor de importantes meios e também proporcionador de novos recursos, na busca de um equilíbrio natural que parece querer fugir-lhe.

Destaca-se, no contexto de todos os recursos, naturais e/ou artificiais, o recurso humano – a pessoa. Esta, a pessoa humana, profissional, social, política, religiosa, técnica, científica, enfim, polivalente, constitui o recurso mais valioso que existe neste planeta, aliás, sem este recurso, todos os outros não teriam qualquer utilidade para a humanidade, embora alguns deles a tivessem para o restante reino animal. O mundo jamais seria como é sem o recurso humano.

A complexidade avoluma-se quando se sabe que os recursos naturais, existentes no planeta Terra são, na sua esmagadora maioria, administrados por um outro recurso natural único, o humano. A dificuldade em gerir um recurso natural humano, pelo próprio recurso natural humano, fica assim em evidência, tanto mais que se o homem tem gerido mal os restantes recursos naturais, como é que ele vai ser capaz de se gerir bem a si próprio e à comunidade/sociedade em que se integra?

Uma primeira explicação, sobre a dificuldade em gerir as pessoas, pode-se extrair da situação acima descrita, porque é do conhecimento mundial, que o maior predador e perdulário de recursos naturais é o homem, o que não abona a seu favor, quando tem que se gerir a si próprio.

Gerir pessoas por outras pessoas é um trabalho extremamente difícil, que exige conhecimentos profundos sobre a constituição geral da pessoa humana, porque em boa verdade: «As pessoas são muito mais do que um factor produtivo: são membros de sistemas sociais de muitas organizações exteriores à empresa. São, portanto, diferentes enquanto habitantes do mundo com os seus padrões de comportamento, hábitos de vida, de compras, credo religioso e político, extracto social, econômico, nível cultural.

(…) A pessoa tem de ser considerada como um todo, na sua vertente cultural, social, econômica, crenças políticas e religiosas, e não só através das características que desenvolve no seu desempenho na organização.» (AMARAL,1996:80).


Bibliografia

ALMEIDA, Fernando Neves de, (1999). O Gestor. A arte de Liderar. 2ª Ed. Lisboa: Editorial Presença.

AMARAL, Maria do Céu. (1996). Gerir: Ciência e Arte. Lisboa: IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional/Departamento de Formação Profissional Venade/Caminha – Portugal, 2020

Com o protesto da minha perene GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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